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PARTE 1

A vida sem palavrões é impossível
por Millôr Fernandes



O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de “foda-se!” que ela fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se”?
O “foda-se” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Me liberta.
Não quer sair comigo? Então “foda-se!”
Vai decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então “foda-se!”
O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português vulgar que vingará plenamente um dia.
“Pra caralho”, por exemplo.
Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática.
A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

CONTINUA...



- Postado por: Dínnoviel às 15:41
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